Chakahai

– A história que vou contar, viajante, é do pequeno demônio de olhos amarelos que antes vivia na Montanha ao leste, no monastério, que agora é apenas um monte de escombros. Sim sim… A vila sequer gosta de lembrar destes tempos de guerra, mas eles aconteceram. E uma carnificina também…

O homem baixou sua cabeça, pegando o ar e pedindo perdão por repetir uma história que era considerada de má sorte.

– Desde muito pequena, a menina não se sentia parte do todo. Sequer parecia querer dizer seu nome. Seus olhos eram selvagens e poucas pessoas sequer chegavam perto dela. Olhos amarelos, olhos lupinos e profundos.

“Quando a criança chegou a nossa vila, especificamente ao monastério, nossa vila era caminho de diversos grupos de bandidos e exército mercenários. Era normal ver órfãos caminhando sem rumo, e muitos eram levados pelos monges, que tinham como missão cuidar dos pequenos. Dela não era de falar muito, com o olhar vago e algumas vezes, um olhar velho, que não condizia com sua idade. Ela tinha uma aura um tanto…Diferente. Era um espírito antigo e cheio de cicatrizes.

Porém, para os monges, ela era apenas mais uma criança. Suja e com seus olhos assustados. Eles a levaram para dentro. Dentro de sua moradia e sua vida. Alimentaram a pequena, limparam, ensinaram seu estilo de vida e deram um nome à criança: Chakahai, que, segundo sua escrita, poderia ser lido como a “Devoradora de Mundos”, como também o “Lótus Mais Branco”.

Durante os anos que ficou no local, desenvolveu sua arte marcial e meditava com seus colegas. Desenvolveu amizades e achou que assim ficaria para sempre.

Mas a impermanência nos persegue. Em uma noite, algo aconteceu no templo. Não se sabe o que exatamente. Não houve gritos, não houve sinais de luta. Sabe-se apenas que, no dia seguinte, Chakahai não estava mais lá.

Na noite chuvosa, apenas os sons do trovões ao longe foi ouvido, junto com passos leves e rápidos. Muitos diziam ver olhos amarelos espreitando na floresta negra.”

Chakahai nunca conseguiu esquecer seu passado. Preferiu enterrá-lo, junto com seu antigo nome.

Há tempos, nas antigas terras do Leste, era dito haver uma família que nasceu para guerrear. Conquistava territórios e vendia sua força para exércitos distantes. A família, rica e bem sucedida, não via qualquer obstáculo a sua frente.

Nada até o dia em que esbarraram com um poderoso exército. Temendo pela vitória e em seu estado alterado, o general gritou a plenos pulmões que daria toda sua riqueza para o demônio que o ajudasse a vencer.

Após este juramento, seu exército varreu as forças inimigas. Naquela noite e em muitas outras, houve apenas comemoração…. Até o dia que o demônio decidiu cobrar seu preço.

A antes família tão rica perdera todas as suas riquezas através de batalhas internas e assassinatos sangrentos. O general e sua esposa foram arrastados por uma onda de violência.

Não satisfeito e antes do homem morrer, o demônio apareceu para ele, sussurrando mais uma parte de sua cobrança: a filha do casal seria poupada, mas carregaria uma marca eterna. Seus braços tornou-se escamado, com garras poderosas. Para terminar de marcar a família, sua filha jamais conheceria a paz. Sua existência seria manchada por inúmeras batalhas. Ela seria filha das guerras.

Após ter sido acolhida por monges, Chakahai esqueceu seu passado, até o dia em que um bando de bandidos invadiu o monastério. Tentada pelo demônio, ela assassinou seus antes amigos, assim como seus inimigos. A partir dessa noite, a menina nunca mais permitiu-se ficar em um lugar por muito tempo, assim como a criar vínculos. Vive agora apenas para suas batalhas, sejam elas em sangrentos campos de batalha ou contra seu pior inimigo: a voz que a faz seguir para a luta.

Personalidade: Chakahai é uma menina um tanto mal humorada e prefere seu silêncio. Normalmente não fala de seu passado. Mesmo com seus problemas, busca viver conforme os ensinamentos dos monges.

Objetivo: Alcançar a paz.

Alcunhas: Lótus, Demônio, Devoradora de Mundos.

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